Site para arquiteto, nutricionista ou psicólogo
Três profissões, três conselhos e a mesma dúvida: até onde vai a divulgação antes de virar problema ético.
Arquiteto, nutricionista e psicólogo têm em comum três coisas: vendem confiança antes de vender serviço, dependem de indicação, e respondem a um conselho profissional que tem regras sobre o que pode ser divulgado. É por isso que o site desses profissionais costuma ficar preso no meio — ou é uma página bonita que não diz nada, ou é uma peça de venda que o conselho não aprovaria.
Não sou advogado nem represento nenhum conselho. As regras abaixo foram conferidas nas orientações do CAU/BR, do CFN e do CFP, e mudam: o código de ética dos nutricionistas mudou justamente neste ano. Antes de publicar, confirme na redação vigente e, na dúvida, pergunte ao seu conselho regional — a resposta por escrito vale mais que qualquer artigo.
O que os três podem, sem discussão
- Ter site próprio, com domínio próprio, e aparecer no Google.
- Explicar o que fazem, para quem, como funciona o atendimento e onde ficam.
- Publicar conteúdo informativo e educativo da própria área.
- Identificar-se corretamente: nome completo, título profissional e número de registro.
- Ter formulário ou agendamento e atender pelo WhatsApp.
O que muda de conselho para conselho é a borda: preço, resultado e imagem de cliente.
Psicólogo: identificação obrigatória e nenhuma promessa
O CFP exige que toda divulgação profissional traga três elementos — nome completo, o título ("psicóloga" ou "psicólogo") e o número do CRP com a jurisdição. Falta um, a publicação já está fora da regra, e isso vale para o site inteiro, não só para a página "sobre".
- Informar o valor da consulta não é proibido; usar o preço como argumento principal, com promoção, desconto ou pacote, é o que descaracteriza o serviço.
- Comparações de "antes e depois" do estado emocional não cabem: implicam promessa de resultado.
- Depoimento de paciente é terreno perigoso — além da promessa implícita, expõe quem está em atendimento.
- Atendimento online tem regras próprias de cadastro e registro; se você atende assim, confira antes de anunciar.
Nutricionista: as fotos de antes e depois estão fora
É a regra mais conhecida da categoria e a mais descumprida: o CFN veda a divulgação de imagens de "antes e depois", inclusive as do próprio profissional. O raciocínio é o mesmo do CFP — resultado individual apresentado como padrão é promessa.
Sobre preço, atenção: a regra mudou. A redação anterior proibia anunciar valores, descontos e promoções; a nova reconhece o direito de divulgar preços e honorários, desde que sem termos que confundam ou iludam o público. Como a mudança é recente, vale conferir a redação em vigor antes de montar uma página de valores — e não copiar o que o colega fez no ano passado.
Site para advogados: o que o Provimento 205 permite
Arquiteto: o portfólio é o site, e ele tem dono
Aqui o problema é outro. O portfólio é a página inteira — ninguém contrata arquitetura sem ver projeto pronto —, e a imagem do projeto envolve o cliente que pagou por ele. A orientação do CAU é clara: publique com consentimento prévio do contratante, de preferência já previsto em contrato.
- Coloque a cláusula de uso de imagem no contrato padrão. Pedir depois, obra entregue, é a hora em que se ouve não.
- Crédito de fotografia e de coautoria quando houver — direito autoral em arquitetura é assunto sensível.
- Divulgação de honorários em publicidade é restrita: fale de escopo e etapas em vez de tabela de preços.
- Em peças técnicas e placas, a identificação com o RRT correspondente é exigida.
A estrutura que serve para os três
Depois de tirar o que não pode, sobra bastante — e o que sobra converte melhor do que a promessa que ficou de fora.
- Quem é você, com foto de verdade, formação e número de registro visível.
- Para quem você trabalha, dito com clareza: "atendo adolescentes e adultos", "projetos residenciais de até 120 m²", "reeducação alimentar para quem treina".
- Como funciona o atendimento, passo a passo: primeira conversa, duração, frequência, prazos, o que o cliente precisa levar ou enviar.
- Onde e como: presencial, online, cidade, horários.
- Conteúdo próprio — textos que respondem às dúvidas que você já responde toda semana. É o que traz gente do Google sem infringir nada.
- Um jeito simples de marcar: agenda online ou WhatsApp, com prazo de resposta declarado.
Estrutura de uma landing page: blocos e ordem que funcionam
O que substitui a promessa
A pergunta prática é: se não posso prometer resultado, o que coloco no lugar? A resposta que funciona nas três profissões é processo e clareza. Quem está inseguro quer saber o que vai acontecer, quanto tempo leva, quanto custa em ordem de grandeza e com quem vai falar. Descrever o percurso com honestidade tira mais dúvida do que qualquer superlativo — e não fere regra nenhuma.
Serve também para conteúdo: um texto explicando quando procurar ajuda, o que esperar da primeira consulta ou como se cobra um projeto por etapas rende mais contato do que uma página de vendas com chamada agressiva, e não coloca seu registro em risco.
Antes de publicar
- Confira nome, título e número de registro em todas as páginas, não só na "sobre".
- Procure no texto qualquer palavra que prometa resultado, garantia, rapidez ou superioridade — e reescreva.
- Revise imagens: nada de antes e depois, e nenhum projeto ou cliente sem autorização por escrito.
- Cheque a página de preços contra a redação vigente do seu código de ética.
- Publique a política de privacidade: formulário e agenda coletam dado pessoal, e nas três áreas parte desse dado é sensível.
- Guarde autorizações e o print das regras que você consultou, com data. Se algum dia for questionado, é isso que vai responder por você.
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O que ler a seguir
- Site para advogados: o que o Provimento 205 permite A dúvida não é de design. É saber onde termina a informação e começa a captação — e a linha é mais clara do que parece.
- Estrutura de uma landing page: quais blocos usar e em que ordem A ordem dos blocos não é estética: ela segue a ordem em que as dúvidas aparecem na cabeça de quem lê. Quando a ordem quebra, a página perde.
- Site para imobiliária e corretor: o que ele precisa fazer Os portais trazem contato e cobram por isso. O site serve para outra coisa — e é essa outra coisa que sustenta a carteira.