Site para advogados: o que o Provimento 205 permite

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A dúvida não é de design. É saber onde termina a informação e começa a captação — e a linha é mais clara do que parece.

Quase todo escritório trava no mesmo ponto. A página está pronta, o texto está bom, e alguém pergunta: "isso a OAB deixa?" Na dúvida, o site vira uma folha com nome, telefone e a frase "atuamos em diversas áreas" — que não infringe nada e também não diz nada a quem procurava ajuda.

Não precisa ser assim. As regras existem, são públicas e permitem bem mais do que o senso comum imagina.

Antes de tudo: isto não é orientação jurídica

Este texto é a leitura de um desenvolvedor sobre o que costuma aparecer em páginas de escritórios. A norma é o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB, disponível no site da própria Ordem, e cada seccional pode ter entendimentos próprios. Antes de publicar, confira o texto oficial e, se houver qualquer dúvida, a sua seccional.

O que o Provimento permite

A norma reconhece o ambiente digital em vez de ignorá-lo. Está permitido:

  • Ter site próprio, com domínio próprio, e presença em redes sociais.
  • Informar áreas de atuação, formação, titulação e experiência.
  • Publicar conteúdo informativo e educativo — artigos, vídeos, boletins, participação na imprensa.
  • Anunciar de forma paga, respeitados os princípios éticos da profissão.

A palavra que atravessa toda a norma é sobriedade. Não é uma proibição de existir na internet; é uma exigência de tom.

O que não pode aparecer na página

Aqui está a parte que realmente muda o texto de um site.

  • Promessa de resultado. "Garantimos a sua aposentadoria", "seu processo ganho" — é o erro mais comum e o mais grave.
  • Comparação com outros profissionais. Nada de "o melhor escritório da cidade" ou de tabelas comparativas.
  • Captação indevida de clientela: linguagem que persegue o cliente em vez de informá-lo.
  • Tom mercantil ou sensacionalista — a advocacia não é anunciada como um produto em promoção.

Repare que nada disso impede um site claro. Impede um site que fala como uma loja.

As quatro dúvidas que aparecem sempre

Posso colocar honorários?

Divulgar tabela de preços como atrativo comercial não combina com a norma nem com o Código de Ética. O caminho usual é falar de honorários na consulta, não na vitrine. Se a sua área tem prática consolidada diferente, confirme com a seccional.

Posso publicar depoimentos de clientes?

Depoimento sugere resultado e esbarra no sigilo profissional. Substitua por algo que informa sem prometer: sua formação, publicações, tempo de atuação, temas em que trabalha.

Posso ter botão de WhatsApp?

Canal de contato é contato — o problema nunca é o botão, é o que está escrito ao redor dele. "Fale com o escritório" informa. "Clique agora e resolva sua dívida hoje" é outra coisa.

Posso escrever um blog?

Sim, e é justamente o que a norma incentiva. Conteúdo educativo é o formato mais seguro e, por coincidência feliz, também o que traz mais gente pelo buscador ao longo do tempo.

Como fica a página na prática

A estrutura muda pouco em relação a qualquer site de serviço — o que muda é a linguagem de cada bloco.

  • Primeira tela: quem é o escritório e em que áreas atua. Sem superlativos.
  • Áreas de atuação, cada uma explicada em duas ou três linhas.
  • Quem assina: formação, inscrição na OAB, titulação, publicações.
  • Conteúdo: artigos que explicam direitos e procedimentos.
  • Contato: formas de falar com o escritório, endereço, horário.

Cuidado com textos gerados por IA

Um aviso prático, porque este é um site que oferece geração de páginas. Modelos de linguagem escrevem de forma persuasiva por padrão: eles colocam "garantimos", "o melhor", "resultados comprovados" sem que ninguém peça, porque é assim que soam as páginas com que aprenderam.

Em qualquer outro ramo isso rende um texto exagerado. Na advocacia, rende uma infração. Se usar geração automática, releia cada linha procurando promessa, superlativo e comparação — e apague todas as três.

Lista de checagem antes de publicar

  • Nenhuma frase promete resultado, prazo de vitória ou valor a receber.
  • Nenhum superlativo: melhor, líder, número um, mais completo.
  • Nenhuma comparação com outros profissionais ou escritórios.
  • Nenhum depoimento de cliente e nenhum caso identificável.
  • Nenhuma tabela de honorários exposta como oferta.
  • Número de inscrição na OAB visível.
  • Tom sóbrio do começo ao fim — leia em voz alta e pergunte se soa como um escritório ou como uma promoção.

Passou pelos sete itens, o site informa quem você é e o que faz, e continua dentro da norma. É exatamente o que a maioria dos escritórios queria desde o começo — só não sabia até onde podia ir.

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